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Amélia Fernandes: "Temos o papel de construir políticas que garantam a participação e a inserção das mulheres nos espaços de trabalho e da sociedade como um todo"

07/03/2014

Presidenta da CUT-AL fala sobre a luta das mulheres no Dia Internacional da Mulher

Escrito por: Ascom

Como começou a atuar no movimento sindical?
No final do ano de 1995, recebi um convite do Joaquim Brito então Presidente do Sindicato dos Urbanitários, para participar da chapa que ele estava encabeçando, para sua segunda gestão. Precisava cumprir a cota de mulheres, a cota de gênero, que é uma política afirmativa importante, para inserir a mulher nesses espaços, estimulando o debate sobre questões de gênero. Receberam informações da empresa a qual sou funcionária, quanto a minha postura profissional, e entenderam que eu tinha o perfil para ser preparada para o movimento sindical. No início resisti, insistiram, e eu aceitei ficar na direção colegiada. Passei três anos como diretora de base fazendo a ponte entre a direção executiva do sindicato e a base. Após três anos, passei a atuar como diretora de base liberada, na gestão de Marcelo Florêncio. Assumi a secretaria de formação do sindicato por duas gestões, atuei também na secretaria geral por duas gestões, até o grupo entender que precisava de mim para assumir a presidência do sindicato, cargo que ocupo atualmente. Em 2007 passei a compor a Direção Estadual da CUT Alagoas e em 2003 passei a ser membro da Diretoria Executiva. Fruto desse trabalho, em 2011 fui eleita presidenta da CUT Alagoas, o que tem sido mais um grande desafio em minha vida. No âmbito nacional, desde 2009 venho atuando como militante nas áreas de saneamento e energia e, passei a compor a Federação Nacional dos Urbanitários – FNU, atuando na Secretaria da Mulher no mesmo ano.

Como você avalia a força do trabalho feminino no movimento sindical e como incentivar a participação da mulher nos espaços de poder, entre eles as entidades sindicais?
Garantir e ampliar a participação da mulher no mundo sindical é desafiante pela sua própria condição na sociedade. Além de enfrentar as concepções machistas, nós mulheres precisamos ser duplamente mais competentes para sermos reconhecidas nesses espaços. Sem falar da sobrecarga causada pela responsabilidade doméstica, o que nos leva a uma dupla jornada de trabalho, muitas vezes causando adoecimento. Fomos educadas culturalmente para atuar somente nos espaços privados, nos ensinaram que os espaços públicos eram só para os homens e que a responsabilidade pelos filhos e trabalhos domésticos era da mulher. Estamos mudando essa cultura e aumentando a participação das mulheres no mercado de trabalho e, consequentemente nos espaços públicos, mas é necessário um processo de conscientização e formação política, para as mulheres entenderem o seu papel de cidadã e a sua condição social. Entendemos a necessidade das relações compartilhadas se efetivarem, dividindo as responsabilidades entre homens e mulheres, tanto nos espaços domésticos, quanto nos espaços públicos, além das condições estruturais necessárias para a atuação da mulher.

Qual a sua opinião sobre a questão da cota mínima de participação de mulheres nas direções das entidades sindicais? 
A cota de gênero é uma política afirmativa de fundamental importância, para estimular a participação das mulheres no movimento sindical e nos movimentos sociais, garantindo avanços, na luta pela igualdade de direitos e de oportunidades. Esse instrumento tem elevado o número de mulheres na luta sindical e fortalecido a atuação da mulher nos espaços políticos.

Podemos considerar as cotas um processo de luta pela igualdade de oportunidade entre homens e mulheres?
Com certeza. Eu, por exemplo, sou consequência da política de cotas. Sem dúvida alguma ela tem elevado a participação das mulheres em todos os âmbitos, contribuindo para o avanço das mulheres nos espaços de poder e, consequentemente, no processo de transformação social, por uma sociedade mais justa e mais igual. A política de cotas, mais do que garantir a participação das mulheres nos espaços de poder, demonstra a necessidade de qualificar e democratizar os espaços de discussão e atuação.

O machismo é um impeditivo para as mulheres? Quais as dificuldades enfrentadas nesse meio?
Sem dúvida o machismo é um grande problema enfrentado pelas mulheres no seu dia-a-dia. O movimento sindical ainda é muito masculino e a presença de mulheres ainda é vista por alguns de forma discriminatória. É preciso enfrentar estas resistências com a participação cada dia maior de mulheres. As leis que temos conquistado a exemplo da lei Maria da Penha, têm sido importantes instrumentos de mudança cultural, mas precisamos garantir efetivamente a sua aplicação. 

Foi a partir da década de 80, quando surgiu um “novo sindicalismo”, surge também o debate sobre as condições da mulher trabalhadora, as discriminações de gênero, as desigualdades no ambiente de trabalho e as práticas de assédio sexual. Qual o papel dos sindicalistas para reduzir e eliminar essas desigualdades?
É muito importante o papel que os sindicatos prestam à luta das mulheres. Temos o papel de construir políticas que garantam a participação e a inserção das mulheres nos espaços de trabalho e da sociedade como um todo. Nós temos conseguido, enquanto movimento sindical, avançar nos acordos coletivos, inserindo cláusulas que garantem novos avanços e conquistas para as mulheres como a ampliação da licença maternidade, garantia da igualdade de gênero, dentre outras. Temos também criado, na estrutura do Sindicato, secretarias da mulher e as próprias cotas para a estrutura dos cargos nas diretorias dos sindicatos. Uma outra consciência que a gente precisa desenvolver, nesse processo de transformação e que o movimento sindical já vem debatendo, é a da necessidade dos/as trabalhadores/as participarem dos espaços de decisão política. Os espaços de poder, porque tudo, a vida do cidadão e da cidadã, do trabalhador e da trabalhadora, depende de quem está representando a sociedade no parlamento, nas câmaras municipais, nos governos estaduais e no governo federal. Então os/as trabalhadores/as precisam se envolver mais nesse movimento, para identificar quais são os projetos que realmente defendem a classe trabalhadora e a sociedade como um todo. Acho que esse debate precisa ser fortalecido dentro do movimento sindical com a base, discutir a importância de se envolver nas épocas de eleição, da importância de discutir perfil dos candidatos. Essa transformação de consciência da base como um todo, porque se a base tivesse essa consciência, a gente não teria o parlamento que nós temos hoje, conservador, e que vai de encontro aos interesses da classe trabalhadora e da sociedade também.

O que representa o dia 8 de março?
É um referencial para as mulheres de todo o mundo. Uma data para marcar a luta das mulheres. Este dia precisa ser lembrado a cada ano de forma destacada e vibrante, mostrando para a sociedade que estamos atentas e dispostas a conquistar nosso lugar na sociedade.

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